Tumores Malignos do Fígado

O hepatocarcinoma é o câncer de fígado que surgiu de hepatócitos. Apesar de raramente ocorrer em pessoas sadias expostas a certas toxinas, como a aflatoxina (encontrada em amendoins contaminados, por exemplo) em sua grande maioria o hepatocarcinoma acomete uma população bem definida: os portadores de cirrose hepática. A cirrose hepática é o processo final de diversas doenças do fígado: as hepatites, as lesões pelo álcool, o uso de certas medicações, a hemocromatose (acúmulo de ferro) e as colangites, entre outras. Todas essas doenças provocam a destruição dos hepatócitos, lentamente, com a formação de cicatrizes no interior do fígado, determinando a cirrose. Ao contrário do que se pensa, a maioria das cirroses atualmente são causadas pelas hepatites B e C. O alcoolismo ainda é um fator importante, mas não necessariamente naquelas pessoas que ingerem altas doses de álcool. Mesmo doses mais modestas (três a quatro garrafas de cerveja por semana) podem levar à cirrose. No início, mesmo a cirrose pode ser silenciosa (cerca de 40% dos casos). Os sintomas mais comuns são fraqueza, fadiga, perda do apetite, emagrecimento, hematomas e sangramentos espontâneos, irregularidade menstrual, icterícia (pele e olhos amarelados, pelo acúmulo de bile no sangue) e dificuldade de manter a concentração. Também podem ser mais graves, como o coma, vômitos com sangue e acúmulo de líquido no abdome. O hepatocarcinoma surge do mesmo processo de destruição e multiplicação de células que leva à cirrose, através de mecanismos ainda não bem esclarecidos. De um modo geral, considera-se que uma pessoa portadora de cirrose silenciosa ou pouco sintomática tenha um risco de 5% ao ano de desenvolver um hepatocarcinoma.


Atualmente ainda a melhor opção de tratamento é a cirurgia, que atualmente pode ser realizada pela técnica de laparoscopia. Eventualmente o transplante do fígado também pode ser realizado.



Cirurgia realizada por laparoscopia

Uma outra opção, muito utilizada em cirróticos que não podem ser submetidos à cirurgia é o tratamento percutâneo (pela pele) do tumor. Nessa modalidade terapêutica, o tumor é destruído sem a necessidade de cirurgia. A utilização de agulhas de radiofreqüência “queima” o tumor sem machucar o fígado normal. A injeção percutânea de etanol (PEI) também pode ser realizada. É um método simples, realizado sob anestesia local e com raras complicações. Com o auxílio do ultra-som, é introduzida uma agulha especial no centro do tumor, através da pele, onde é administrado álcool absoluto (a 100%), provocando a destruição do câncer. Outro método é a introdução de uma agulha que emite microondas ou radiofrequência no centro da lesão, com efeito semelhante. Apesar de simples, rápido e seguro, o tratamento percutâneo não é tão eficaz quanto o cirúrgico, podendo ser utilizado antes da cirurgia ou em pessoas que não possam ou não aceitem a cirurgia. Um outro tratamento cada vez mais utilizado como paliativo é a quimioembolização da lesão. Outras possibilidades são a arteriografia com embolização, onde os vasos que nutrem o tumor são obstruídos e a quimioterapia, com resultados muito ruins, não sendo mais utilizada.

 

O fígado é um órgão de fundamental importância ao organismo e pode ser acometido por muitas doenças diferentes, a maior parte delas é silenciosa. Durante o desenvolvimento dessas doenças, o fígado sofre um processo de destruição de células com proliferação de outras, predispondo-se ao aparecimento de células geneticamente defeituosas que podem se tornar focos de câncer. Devido à alta agressividade do câncer do fígado, pelo fato de que só há bom resultado com o tratamento da lesão inicial e por ser geralmente assintomático nessa fase, é fundamental que os indivíduos de risco façam exames periódicos. Uma vez descoberto o câncer precoce, diversas formas de terapia estão disponíveis, desde as muito agressivas até tratamento clínico com anestesia local.